Aos 64 anos, Sônia Ramos tinha uma missão puramente familiar: encontrar uma forma de engordar o orçamento de casa para apoiar um de seus quatro filhos que acabara de perder o emprego. A solução estava nas fôscas formas de alumínio de sua cozinha em Ribeirão Preto (SP), de onde saíam bolos de fubá e de milho adorados pela vizinhança. Quinze anos depois, aquela humilde iniciativa caseira protagonizou uma das maiores movimentações do mercado de alimentos do Brasil.
Em maio de 2026, celebrando seus 80 anos de idade, a empreendedora carinhosamente conhecida como “Vó Sônia” consolidou a venda da Casa de Bolos — o império que ela construiu do zero e que hoje soma 600 lojas — para a multinacional britânica AB Mauri Brasil, dona de marcas gigantescas como Fleischmann e Ovomaltine.
O negócio, que fechou o último ano faturando R$ 720 milhões, coroa o chamado “empreendedorismo prateado” e prova que o faro comercial refinado não tem qualquer relação com a data de nascimento no RG.
O segredo que as grandes indústrias não conseguem replicar
O que despertou o apetite de uma corporação bilionária por uma rede que nasceu no centro de uma cidade do interior paulista? A resposta está na contramão do que o mercado de fast-food costuma fazer. Enquanto o varejo se inundava de misturas industriais prontas, corantes e conservantes para baratear processos, Sônia fincou o pé em uma filosofia inegociável: fruta de verdade, ovos frescos e zero aditivos químicos.
A Fórmula do Crescimento Sustentável
├── Início (2010) ──> Mãe e filho caçula divididos entre o forno, o balcão e o caixa
├── Diferencial ──> Produção diária artesanal nas lojas (O bolo de maçã com castanha vira líder de vendas)
└── Escala (2026) ──> 60 mil bolos assados por dia mantendo o padrão "feito por uma avó"
Mesmo sob o novo controle acionário britânico, o modelo operacional que conquistou o país será mantido intacto. A Casa de Bolos funcionará como uma unidade independente e a própria Vó Sônia continuará batendo ponto no setor mais importante da empresa: o desenvolvimento e teste das receitas que abastecem os franqueados de 20 estados brasileiros e, mais recentemente, de uma unidade em Lisboa, Portugal.
Gestão de mãe: a estratégia “pé no chão” que conquistou o mercado
Muitas startups gastam rios de dinheiro tentando validar modelos de negócios complexos, mas a Casa de Bolos escalou o topo do franchising nacional utilizando uma lógica simples e rigorosa de governança familiar. Conforme os clientes faziam fila no primeiro ponto comercial, os outros três filhos de Sônia integraram a operação, dividindo as diretorias executivas da marca.
“Sempre fomos muito pés no chão. O maior desafio não foi vender, mas expandir uma estrutura tão familiar garantindo que o bolo que o cliente come em Lisboa tenha o mesmo carinho e sabor daquele que saiu do meu primeiro forno”, relembra Sônia.
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Expansão por Identificação: A rede cresce prioritariamente em praças com forte apelo familiar e bairros residenciais com alto potencial de consumo diário.
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Acolhimento aos Franqueados: O perfil dos parceiros da rede segue a mesma lógica: famílias que buscam no modelo de franquia uma forma de construir o próprio patrimônio trabalhando unidas.
O horizonte dos R$ 800 milhões
Se o plano tradicional de quem chega aos 80 anos envolve calmaria, para a fundadora da maior rede de bolos caseiros do país o ritmo continua acelerado. A meta estabelecida para o fechamento de 2026 é audaciosa: fincar a bandeira da marca em novas praças na região Nordeste, atingir a marca histórica de 700 unidades abertas e encostar em um faturamento anual de R$ 800 milhões.
A história de Sônia Ramos rasga o manual tradicional de negócios e deixa uma lição definitiva para o empreendedorismo feminino: o mercado não quer apenas algoritmos e processos frios; ele é movido, essencialmente, por histórias autênticas, persistência e produtos que criam conexão real com as pessoas.







