Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho (MPT), revela que as mulheres assumiram a liderança no comércio eletrônico brasileiro. Elas correspondem a 51,8% dos pequenos comerciantes e empregadores por conta própria que utilizam plataformas digitais para vender produtos, enquanto os homens somam 48,2%.
Apesar do avanço do ecossistema digital, o uso de plataformas de e-commerce ainda é restrito: dos cerca de 5 milhões de brasileiros que atuam por conta própria ou como empregadores no comércio, apenas 210 mil (4,2%) utilizavam ferramentas digitais para realizar suas vendas.
Escolaridade alta e rendimento 44,4% superior
O levantamento traça um contraste marcante entre o perfil do comerciante digital e o tradicional. Os profissionais que atuam no e-commerce apresentam maior escolaridade: 33,5% possuem ensino superior completo, contra apenas 19% no grupo que não utiliza plataformas.
Essa qualificação, aliada a uma maior formalização dos negócios, traduz-se em ganhos financeiros expressivos. O rendimento médio mensal do comerciante plataformizado alcançou R$ 4.932, valor 44,4% superior à média de R$ 3.415 recebida por quem atua exclusivamente nos meios físicos.
| Indicador de Comparação | Comerciantes em Plataformas | Comerciantes Tradicionais |
| Presença Feminina | 51,8% | 49,6% |
| Rendimento Médio Mensal | R$ 4.932 | R$ 3.415 |
| Escolaridade (Ensino Superior) | 33,5% | 19,0% |
| Faixa Etária Predominante (25 a 39 anos) | 49,7% | 28,6% |
| Jornada Semanal Média | 41,5 horas | 39,4 horas |
Dependência tecnológica e exclusividade digital
O estudo também analisou o nível de integração entre o comércio presencial e o virtual. Para 31,3% dos vendedores digitais, as plataformas representam o único canal de vendas. Entre os 68,7% que diversificam seus canais, 22,4% têm nas ferramentas online sua principal fonte de receita.
A pesquisa alerta para o grau de interferência das grandes plataformas de comércio eletrônico na gestão financeira dos pequenos negócios. Cerca de 46,8% dos comerciantes declararam dependência total das diretrizes da plataforma para a definição da forma de recebimento de pagamentos, enquanto 17% relataram dependência parcial do sistema.







