Muitas vezes, a narrativa tradicional de negócios exige que uma líder pareça inabalável e totalmente preparada antes de dar o primeiro passo rumo a uma grande transição. Contudo, no painel “Confiança: o ativo invisível que impulsiona mulheres empreendedoras”, realizado no Summit Mulheres nas Profissões, em São Paulo, a jornalista e campeã do Big Brother Brasil 26, Ana Paula Renault, desmistificou essa visão ao afirmar que a segurança não é um traço inato, mas um resultado direto da ação.
Aos 44 anos, idade em que muitos enxergam a estabilização de carreira como única via, a jornalista redefiniu seu próprio caminho. Sua participação trouxe um alerta claro sobre como a autocrítica excessiva, a busca pela perfeição e os estigmas sociais atuam como amarras que impedem profissionais qualificadas de assumir postos de liderança e criar negócios de impacto.
O “pacto com o erro” e a construção da autoconfiança
Um dos conceitos centrais apresentados por Renault foi a urgência de as mulheres selarem um “pacto com o erro”. Historicamente cobradas para não falhar, muitas profissionais hesitam em se candidatar a vagas de destaque ou em iniciar novos projetos por medo da imperfeição.
A desmistificação do erro o coloca não como uma paralisia, mas como parte inevitável do aprendizado e do crescimento pessoal e corporativo. Na visão da palestrante, encarar a falha como um degrau é a chave para aceitar mudanças de rumo — sejam elas na carreira, nos relacionamentos ou em projetos pessoais.
A tese defendida é a de que a autoconfiança se desenvolve exclusivamente no movimento. Esperar sentir-se “pronta” para agir é um ciclo de adiamento permanente; o avanço prático e a realização do percurso é o que constrói, retroativamente, a certeza da própria capacidade.
“Vocês não precisam se sentir melhores para começar. Vocês precisam simplesmente começar para se sentir melhores.”
— Ana Paula Renault
O protagonismo sem prazo de validade e o efeito multiplicador
Ao defender que “toda mulher tem que empreender a própria vida”, a jornalista expande o conceito de empreendedorismo para além da abertura de empresas com CNPJ. Empreender, nesse contexto, torna-se sinônimo de autogestão, escolha consciente e ocupação do papel principal em qualquer trajetória profissional ou idade. A reinvenção após os 40, 50 ou 80 anos é apresentada como uma demonstração de autonomia e liberdade.
Além da postura individual, o discurso reforçou a importância do crescimento compartilhado. Rejeitando o mito da rivalidade feminina, o avanço de uma profissional é encarado como um vetor que abre caminhos para tantas outras.
Exemplo prático dessa mentalidade foi a estratégia adotada por Renault durante sua exposição no reality show de maior audiência do país: ela utilizou o espaço para vestir marcas de pequenas empreendedoras, gerando visibilidade nacional a negócios que não teriam acesso a essa escala por vias tradicionais. A inclusão de redes de apoio diversas — englobando mulheres negras, indígenas, trans e com deficiência — foi apontada como condição essencial para romper com barreiras históricas e construir um ambiente corporativo verdadeiramente plural e sustentável.








