
O que fazer com as centenas de desenhos, pinturas e colagens que as crianças produzem ao longo da infância? Para a maioria das famílias, o destino dessas criações costuma ser o acúmulo em caixas esquecidas no fundo do armário ou o descarte doloroso por falta de espaço. Foi ao revisitar seus próprios registros de criança na casa da mãe que a arquiteta Márjori Grecco, de 39 anos, vislumbrou a oportunidade de ressignificar essa relação com as lembranças familiares.
O conceito ganhou forma em 2022, quando Márjori uniu forças com sua cunhada e sócia, a designer e especialista em História da Arte Fernanda Canellas, de 39 anos. A partir dos desenhos de Valentina, filha de Márjori, as duas criaram a guardei.co, uma empresa especializada em transformar acervos infantis em livros de arte de alto padrão para compor a decoração dos lares.
A estratégia do media kit e a explosão de visibilidade
Iniciar uma operação cujo produto dependia do envio prévio do acervo pessoal e original dos clientes trazia um desafio claro de validação: os pais precisavam enxergar o resultado final para compreender o valor do serviço. Com um investimento inicial de aproximadamente R$ 50 mil, as sócias tomaram uma decisão arriscada e certeira — direcionaram quase todo o capital para a produção de 20 media kits completos.
As caixas — contendo o livro piloto com a coletânea da filha de Márjori, cartas personalizadas e brindes — foram enviadas a mães influenciadoras de grande relevância nacional. A primeira a divulgar o projeto foi a empresária Carol Celico, o que provocou um salto imediato no perfil da marca no Instagram, passando de 300 para 9 mil seguidores em um curto período. A adesão orgânica de personalidades como Sabrina Sato, Fabiana Justus, Astrid Fontenelle e Flávia Alessandra chancelou a proposta e gerou a demanda inicial necessária para tracionar o negócio.
| Pilar da Operação | Detalhe da Estratégia guardei.co |
| Tíquete Médio | R$ 1,5 mil por cliente |
| Faixa de Preço dos Livros | De R$ 370 (modelo básico) a cerca de R$ 3 mil (projetos complexos/3D) |
| Volume de Produção | 200 a 250 livros fabricados por mês |
| Estrutura Operacional | Equipe interna de 10 profissionais (estúdio, fotografia, design e logística) |
| Presença Geográfica | Gestão dividida entre São Paulo (Márjori) e Miami (Fernanda) |
O fluxo de produção e a valorização do afeto
A jornada do cliente começa com a seleção das características do livro no site da marca. Em seguida, a guardei.co envia uma caixa reforçada para que a família coloque os desenhos originais e os envie de volta ao estúdio da empresa.
Após o recebimento, as peças passam por um processo meticuloso de fotografia profissional e edição de imagem. O projeto diagramado pode incluir capítulos organizados por idade, fotografias da criança, trechos manuscritos e dedicatórias. Por se tratar de um trabalho artesanal e altamente personalizado, o processo de produção leva semanas ou até meses, ajustando-se ao ritmo e aos desejos de cada família. A recorrência é um ponto forte da operação: há clientes que encomendam coleções completas, acumulando até 15 volumes para registrar ano a ano o desenvolvimento dos filhos.
Da sala de casa à maturidade corporativa
No primeiro ano de operação, Márjori e Fernanda trabalhavam nas salas de suas respectivas casas, contando apenas com o auxílio de um fotógrafo. Enquanto Fernanda utilizava sua bagagem em branding, franquias e design para estruturar o posicionamento e a direção de arte da marca, Márjori aprendeu a gerir a logística, o fluxo de caixa e o atendimento ao cliente do zero.
A decisão de humanizar cada etapa — mantendo conversas diretas e até chamadas de vídeo com os pais antes da aprovação final para impressão — garantiu um índice elevado de satisfação e indicação boca a boca.
A dedicação integral ao empreendimento acompanhou um salto impressionante de desempenho: entre 2023 e 2025, a guardei.co registrou um crescimento de 4.500% em seu faturamento. Com uma equipe estruturada e o reinvestimento contínuo dos lucros na otimização da cadeia logística, a meta atual das fundadoras é dobrar a capacidade de produção sem abrir mão da sensibilidade que transformou papéis guardados em objetos de desejo e valor sentimental.







