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A estratégia de gestão de Mariana Perdomo, que transformou um bolo desabado em uma marca nacional

No universo dos negócios, a capacidade de transformar imprevistos em oportunidades operacionais é uma das competências mais valiosas de uma liderança. Aos 19 anos, quando a goiana Mariana Perdomo começou a fazer e vender bolos com o objetivo de conquistar sua independência financeira, ela enfrentou um problema prático recorrente: as estruturas dos bolos desabavam no trajeto até as feiras de rua em Goiânia.

A solução encontrada para não perder a receita descartada foi simples e genial: acomodar pedaços da massa e camadas de recheio dentro de potes transparentes de plástico. Assim nascia a Torta no Pote, o produto que não apenas resolveu o gargalo logístico da jovem empreendedora, mas serviu de faísca para a fundação da Perdomo Doces. Hoje, aos 32 anos, a empresária comanda uma estrutura com 13 operações próprias, cerca de 320 colaboradores e uma produção que chega a 2 milhões de doces por ano — o equivalente a cerca de 60 toneladas de produtos por mês.

Construção de marca, redes sociais e expansão orientada por dados

O crescimento da marca não foi fruto de uma estratégia megalomaníaca inicial, mas de um aprimoramento contínuo da receita, da embalagem e do atendimento. Formada em Gastronomia, Mariana começou os testes na cozinha de seu próprio apartamento, sem capital para grandes campanhas ou uma rede de fornecedores.

O grande catalisador das vendas foi o Instagram, utilizado como vitrine orgânica para informar o público em qual feira a marca estaria no fim de semana. O número de WhatsApp e o usuário da rede colados nos potes criaram um canal direto de comunicação. A combinação entre a resolução de um problema prático (o doce não desmontava mais) e um storytelling transparente e pessoal gerou uma forte conexão com a comunidade. Hoje, as páginas da marca e da fundadora superam 1,3 milhão de seguidores.

A produção de conteúdo permanece 100% interna. Além disso, a empresa utiliza as redes como ferramenta de inteligência de mercado: antes de abrir uma nova unidade, cruza métricas de engajamento, pesquisas e dados de parceiros de delivery para escolher os próximos bairros ou cidades.

Modelo 100% próprio e inovação em logística com a carreta itinerante

Diferente de boa parte do mercado de franquias e alimentação rápida, a Perdomo Doces opera sob um modelo estritamente próprio. A empresa não possui sócios investidores nem franqueados. Suas 13 unidades — compostas por lojas físicas (como a matriz Casa Perdomo e unidades com drive-thru em Goiânia), quiosques, dark kitchens e operações em Brasília, Anápolis e São Paulo (Pinheiros e Tatuapé) — pertencem integralmente à marca.

Para testar a aceitação em novas praças antes de instalar estruturas fixas, a empresa lançou o projeto Perdomo pelo Brasil. Trata-se de uma carreta itinerante refrigerada que sai da fábrica em Goiás e já percorreu mais de 43 cidades em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O formato funcionou como um laboratório em tempo real para validar a demanda antes dos investimentos em unidades fixas de delivery.

Métrica / Pilar Detalhe da Operação Perdomo Doces
Produção Diária

Cerca de 2 toneladas de doces por dia

Insumos de Destaque

Compra mensal de ~7 toneladas de chocolate

Gama de Produtos

Torta no Pote, Bolos Gelados, Bolachinhas e linha Camadas de Amor

Modelo de Negócio

Lojas próprias, quiosques, dark kitchens, drive-thru e carreta

Equipe Interna

Aproximadamente 320 funcionários diretos

Maturação em gestão e o futuro no mercado premium

Controlar o ritmo de crescimento sem diluir a qualidade do produto é apontado por Mariana como o principal desafio de sua trajetória. A empresária defende que acelerar a produção sem corrigir gargalos de base significa apenas “escalar ineficiências”. Por isso, o padrão de produção e a seleção dos insumos mantêm-se como cláusulas inegociáveis do negócio.

Outro aprendizado marcante envolveu o fortalecimento de sua própria liderança. Durante uma fase da empresa, a fundadora cedeu a tomada de decisões estratégicas a terceiros ao confundir postura humilde com falta de confiança em sua própria capacidade de gerir um negócio de grande porte. A retomada das rédeas da operação marcou um ponto de virada em seu amadurecimento como executiva.

Inserida em um setor aquecido — estimativas do IMARC Group indicam que o mercado brasileiro de confeitaria atingiu US$ 3,5 bilhões e pode chegar a US$ 4,8 bilhões nas próximas décadas, impulsionado pela busca por itens premium —, Mariana adota uma postura cautelosa diante de modismos e tendências passageiras. A prioridade para os próximos anos é o fortalecimento contínuo da fábrica e da capacidade fabril, garantindo sustentabilidade para a expansão da rede própria pelo Brasil.

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