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Mulheres superam homens em habilidades de negociação e redefinem a criação de valor de longo prazo, aponta estudo

Por décadas, o ambiente corporativo operou sob a falsa premissa de que a negociação de alto impacto exigia uma postura estritamente agressiva e competitiva — características historicamente associadas ao universo masculino. No entanto, uma nova e robusta pesquisa conduzida em conjunto pela UC Berkeley Haas e pela Cornell University ILR School acaba de desmantelar esse mito, comprovando que as mulheres não apenas empatam com os homens nos ganhos financeiros imediatos, como os superam em competências fundamentais para a perpetuidade dos negócios.

Publicado na prestigiada revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o estudo analisou mais de 2 mil observações em simulações de negociação e mais de mil sessões online. Os dados revelaram que, enquanto homens e mulheres alcançam resultados econômicos equivalentes na assinatura do contrato, as negociadoras são significativamente mais bem avaliadas em aspectos como construção de confiança, senso de justiça, comunicação e escuta ativa.

A virada do “gênero oculto”: prova de competência técnica e comportamental

Para testar se a avaliação positiva das mulheres decorria de meros estereótipos de gênero — como a expectativa social de que a mulher seja mais acolhedora —, os pesquisadores realizaram um segundo experimento totalmente cego. As negociações ocorreram via chats virtuais, nos quais nenhum dos participantes sabia o gênero da pessoa do outro lado da mesa.

O resultado confirmou a tese: mesmo sem saber se estavam negociando com um homem ou com uma mulher, os participantes avaliaram as estratégias das negociadoras femininas como substancialmente mais agradáveis, justas e eficientes. Ficou provado que a vantagem relacional das mulheres não vem da percepção externa, mas sim da qualidade de suas táticas de negociação e de seu comportamento prático.

O efeito “juros compostos” do capital relacional

Tradicionalmente, as escolas de negócios focaram de forma obsessiva em medir “quem vence” o acordo no curto prazo. O estudo de Berkeley e Cornell chama a atenção para uma métrica frequentemente negligenciada: quem constrói o relacionamento para os próximos negócios.

Em negociações complexas — como parcerias estratégicas, contratos de prestação de serviços continuados ou alianças comerciais —, o valor financeiro real do contrato depende diretamente do engajamento e do cumprimento das partes após a assinatura. Como ressalta a professora Solène Delecourt, da UC Berkeley Haas, a preferência demonstrada pelos interlocutores em voltar a fazer negócios com mulheres funciona como uma “alta taxa de juros compostos” no mundo corporativo. A capacidade de gerar satisfação mútua acumula oportunidades ao longo do tempo, convertendo-se em faturamento recorrente.

“Os resultados econômicos representam apenas metade da história. A outra metade é saber se as pessoas querem trabalhar com você novamente. E é justamente aí que as mulheres têm uma vantagem significativa.”

Charlotte Townsend, pesquisadora da Cornell University ILR School.

O que o mercado de liderança precisa aprender

As conclusões da pesquisa trazem lições valiosas para conselhos de administração, diretores executivos e gestores de Recursos Humanos ao escolherem quem os representará em mesas de negociação de alto risco:

  • Fim do dilema entre lucro e relacionamento: A pesquisa prova que não é preciso sacrificar a margem financeira para construir uma boa relação comercial; as mulheres conseguem entregar ambas as metas de forma simultânea.

  • Visão de ciclo completo do cliente (LTV): Negociadores que espremem a outra parte até o limite podem conseguir um ganho pontual, mas destroem pontes. A abordagem feminina preserva a reputação da marca e garante portas abertas para futuras expansões de contrato.

  • Ativo estratégico subutilizado: Lideranças que continuam escalando apenas perfis agressivos para fechar grandes acordos estão, segundo a pesquisa, deixando de aproveitar um dos maiores ativos de inteligência de negócios disponíveis no mercado.

Ao demonstrar que a sensibilidade, a escuta ativa e a busca pela justiça são ferramentas de alta performance econômica, o estudo reescreve a cartilha da boa negociação e reafirma a relevância indispensável da liderança feminina para o futuro dos negócios.

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