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Ela vendeu apenas 23 unidades no primeiro dia, mas não parou até faturar R$ 20 milhões por ano

A trajetória da catarinense Lu Soares, fundadora e CEO da marca de cosméticos Peach Up, sintetiza o poder de transformação do empreendedorismo de alto impacto. Filha de um catador de materiais recicláveis, Lu começou a trabalhar aos 13 anos para ajudar no sustento da casa e na alimentação de seus três irmãos. Décadas depois, aquela realidade de extrema vulnerabilidade financeira deu lugar a um ecossistema de negócios que faturou R$ 20 milhões e inicia sua expansão para mercados altamente competitivos, como Estados Unidos e Europa.

Formada em Direito, Lu Soares construiu sua primeira estabilidade financeira no mercado de seguros em Jaraguá do Sul (SC). Contudo, em 2023, decidiu canalizar suas economias em um novo nicho: o mercado de cosméticos de alta performance focados no tratamento estético corporal feminino.

O “fundo do poço” e o prejuízo de R$ 1 milhão no início do negócio

O início da Peach Up foi marcado por um erro crítico de estratégia e um prejuízo que quase custou a saúde financeira da empresária. Lu investiu R$ 1 milhão de seu patrimônio pessoal para produzir um lote inicial de 15 mil itens. No dia do lançamento oficial da plataforma digital, a marca registrou a venda de apenas 23 unidades.

Por quase 18 meses, o estoque massivo ficou parado no centro de distribuição, correndo o risco de vencer devido aos prazos rígidos de validade impostos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O negócio operava com um faturamento digital de apenas R$ 500 por dia, enquanto consumia o caixa gerado pela corretora de seguros de Lu.

Para salvar a operação, a fundadora tomou medidas extremas:

  • Refinanciou seu próprio veículo de luxo para injetar capital de giro;

  • Rompeu contratos com agências de publicidade tradicionais que não entregavam conversão;

  • Investiu R$ 160 mil em uma mentoria de negócios focada em conversão digital e experiência do usuário (User Experience).

O erro de branding que travava as vendas digitais

O diagnóstico técnico da mentoria apontou uma falha grave na arquitetura de marca e no funil de vendas do e-commerce. A empresa gastava energia comunicando o nome institucional “Peach Up”, o que confundia a audiência na internet.

“A gente comunicava Peach Up, e as pessoas achavam que eu vendia gelatina, suco, qualquer coisa de pêssego, menos creme de bumbum”, relembra a empresária.

A correção estratégica exigiu uma reestruturação completa em duas frentes principais:

1. Comunicação focada no benefício

O marketing digital abandonou a linha conceitual e passou a destacar o nome comercial do produto e seu benefício direto: o creme BoomBoomUp, focado no tratamento de flacidez, celulite e estrias.

2. Otimização técnica do e-commerce

A infraestrutura tecnológica do site foi completamente resetada. A jornada de compra do cliente, que antes demorava cerca de cinco minutos para ser concluída, foi reduzida para um sistema de checkout rápido de apenas cinco segundos.

O impacto das mudanças foi imediato. No dia seguinte ao relançamento do site, em outubro de 2024, as vendas diárias saltaram de R$ 500 para R$ 30 mil.

Portfólio focado em beleza limpa e conexão com a saúde

Atualmente, a Peach Up comercializa entre 25 mil e 30 mil unidades mensais, sustentando um faturamento que oscila entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões por mês. A marca se consolidou ao apostar em fórmulas limpas de grau 2 da Anvisa, contendo ativos vasodilatadores como o nicotinato de metila, que exige testes rigorosos de eficácia comprovada.

O mix de produtos diferencia-se no mercado por ser:

  • 100% vegano e cruelty-free (livre de testes em animais);

  • Livre de parabenos e petrolatos, permitindo o uso seguro por gestantes e lactantes;

  • Eficaz no alívio de sintomas de lipedema — uma doença crônica inflamatória que causa acúmulo de gordura nas pernas —, benefício que passou a ser explorado após o feedback espontâneo de milhares de clientes.

Estrutura Familiar: Lu Soares trouxe toda a sua família para a governança da empresa. Seus pais comandam a área operacional de embalagens; um de seus irmãos atua como diretor jurídico e chefe do canal B2B; outro gerencia a logística e sua irmã lidera a corretora de seguros do grupo.

Passaporte regulatório e meta de US$ 1 bilhão para 2030

Com a operação nacional estabilizada e em fase de expansão para as gôndolas das grandes redes de farmácias e canais de Social Commerce (como o TikTok for Business), a Peach Up mira agora o mercado global.

A marca obteve cinco certificações regulatórias internacionais, incluindo a chancela da Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos Estados Unidos. A holding abriu seu primeiro escritório internacional na Flórida, que funcionará como o hub logístico para a distribuição de produtos para a União Europeia, Emirados Árabes Unidos e Nova Zelândia.

Com a meta de fechar o ano atual com um faturamento de R$ 50 milhões, Lu Soares mantém um objetivo de saída claro (exit strategy): transformar a Peach Up em uma empresa unicórnio até 2030 e efetuar a venda da operação por, no mínimo, US$ 1 bilhão. Para a menina que começou a trabalhar aos 13 anos para garantir a alimentação da casa, o topo do mercado de cosméticos global é apenas o próximo passo programado.

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