Quem entra no charmoso complexo de tijolos aparentes e aroma de café fresco em Piracaia, no interior de São Paulo, dificilmente imagina que aquele ecossistema vibrante começou, literalmente, com poeira de argila na garagem de casa. Foi ali que a parceria entre Bárbara Fontoura (38) e Kátia Kiehl (51) ganhou forma há 14 anos. Hoje, o que era um modesto ateliê de cerâmica artesanal transformou-se em um complexo integrado pioneiro que faturou R$ 500 mil em 2025 e projeta alcançar a marca de R$ 700 mil em 2026.
O segredo dessa expansão espetacular? Uma estratégia brilhante de verticalização da experiência. Bárbara e Kátia não vendem apenas pratos e xícaras; elas vendem um estilo de vida acolhedor que une arte, gastronomia de alto padrão e educação em um único endereço.
O poder da experiência integrada: argila, mesa e afeto
A virada de chave do negócio aconteceu quando as sócias perceberam que o cliente moderno não busca apenas um produto físico, mas conexão. Em maio deste ano, elas inauguraram um complexo unificado que integra a nova fábrica da marca, uma loja de utilitários, uma escola de capacitação técnica e o aclamado restaurante Porta ao Lado.
A sinergia entre as frentes é perfeita e encanta os visitantes à primeira vista:
O Ecossistema Fontoura & Kiehl
├── Na Escola ──> Clientes e profissionais aprendem modelagem, torno e pintura
├── No Restaurante──> Os pratos criados por Bárbara são servidos nas cerâmicas da própria marca
└── Na Loja ──> O público consome a experiência e leva as louças para decorar a própria casa
Essa integração gerou um fenômeno turístico em Piracaia. O espaço virou parada obrigatória para viajantes de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e até Brasília, movimentando toda a economia da região. O restaurante prioriza ingredientes de pequenos produtores locais, como trutas frescas e hortaliças orgânicas, criando um círculo virtuoso de desenvolvimento comunitário.
Crescimento sustentável: pés no chão e inovação caseira
Em um mercado que muitas vezes pressiona por empréstimos agressivos, Bárbara e Kátia mantêm uma filosofia financeira rígida: não há investimento sem dinheiro em caixa. A expansão foi feita degrau por degrau, de forma orgânica e extremamente criativa.

A primeira máquina do negócio, por exemplo, foi construída de forma caseira pelo pai de Bárbara. Anos depois, ao precisarem de fornos industriais — que novos custam entre R$ 60 mil e R$ 70 mil —, as sócias garimparam e reformaram equipamentos usados.
A Fórmula do Crescimento Saudável
[Faturamento Orgânico] ──> Lucro retido e reinvestido na própria operação (Sem dívidas)
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[Equipamentos Inteligentes]──> Compra e reforma de maquinário usado de alta performance
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[Automação + Artesanal] ──> Máquinas aceleram a base; artesãos focam no acabamento único
Agora, com a nova fábrica em operação, o foco é a tecnologia. Para resolver o principal gargalo do setor — a escassez de mão de obra especializada em torno —, as empresárias investiram em maquinários para automatizar a parte pesada da produção, liberando o time de artesãos para focar no design, no acabamento e na alma do “feito à mão”.
Gestão com alma e o segredo da presença ativa
Com uma equipe que saltou para 24 colaboradores, a gestão de pessoas tornou-se uma prioridade afetiva para as sócias. Além de formalizarem todos os contratos desde o primeiro dia, elas criaram um benefício inspirador: anualmente, os funcionários com mais de um ano de casa concorrem a uma viagem com acompanhante totalmente paga pela empresa.
A divisão de tarefas das sócias reflete o equilíbrio perfeito entre a razão e a sensibilidade:
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Bárbara Fontoura: Lidera a cozinha do restaurante, as compras com produtores locais e a escola de cerâmica durante a semana.
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Kátia Kiehl: Comanda todo o backoffice administrativo e financeiro, assumindo a liderança do restaurante aos finais de semana.
Essa presença constante das fundadoras na linha de frente é apontada por elas como o verdadeiro diferencial do negócio. “Queremos um negócio acolhedor, onde as pessoas se sintam abraçadas. Só conseguimos construir essa equipe e fidelizar nossos clientes porque estamos lá todos os dias”, pontuam.
Com o apoio do Sebrae e da Apex-Brasil, os próximos passos do ateliê incluem o lançamento de um e-commerce nacional, a produção da própria argila e a preparação para a internacionalização de suas peças. Bárbara e Kátia provam que a delicadeza do barro, quando moldada com inteligência de negócios, tem força de sobra para conquistar o mundo.








