Quando uma pequena empresa familiar fecha as portas no Brasil, o motivo nem sempre é a falta de clientes ou o faturamento baixo. Muitas vezes, a razão é a falta de alguém para assumir o comando. Sem um sucessor na família, o destino costuma ser doloroso: funcionários dedicados são demitidos, equipamentos são liquidados a preço de banana e uma história de anos de esforço desaparece. Foi inconformada com esse cenário que a executiva paulistana Mary Mizuno decidiu usar seus mais de 30 anos de experiência em gigantes financeiras para criar uma solução revolucionária e cheia de propósito.
Após ocupar cargos de alta liderança em instituições como Citibank, Santander e encerrar sua trajetória corporativa como vice-presidente da Mastercard para a América do Sul, Mary tomou uma decisão corajosa: deixou o universo corporativo tradicional para empreender na tecnologia. Ela fundou a SoM&A, uma startup inovadora que funciona como um verdadeiro “Tinder” para a compra e venda de pequenas e médias empresas (PMEs). Utilizando inteligência artificial, a plataforma conecta empresários que querem vender seus negócios a investidores interessados em comprá-los. Com a meta ousada de faturar R$ 2,1 bilhões até 2027, Mary está provando que o mercado de fusões e aquisições — antes restrito aos grandes impérios de Wall Street — pertence também aos pequenos negócios.
Do Vale do Silício para o coração das empresas familiares
A virada de chave na vida de Mary Mizuno começou com uma busca por renovação. Em vez de se acomodar no topo do setor financeiro, ela arrumou as malas e foi estudar inovação no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Ao retornar, montou uma empresa de tecnologia de sucesso que foi vendida anos depois. Foi durante um curso de formação para conselheiros de empresas familiares que ela enxergou o grande problema que precisava ser resolvido no Brasil.
Mary percebeu que milhares de pequenos comércios, franquias e prestadores de serviços morriam simplesmente porque os donos queriam se aposentar e não tinham para quem passar o bastão. Inspirada por um modelo de sucesso no Japão que utilizava tecnologia para salvar pequenos negócios, ela trouxe a ideia para a realidade brasileira com um foco claro: valorizar o patrimônio de quem sustentou a economia do país por décadas.
O Ecossistema Oculto das PMEs no Brasil
├── Participação no PIB ──> Responde por aproximadamente 30% da riqueza nacional
├── Mercado Alvo ──> 18,8 milhões de empresas que faturam menos de R$ 50 milhões/ano
└── Força de Trabalho ──> Concentram 52% de todos os empregos formais do país
Como funciona o “aplicativo de namoro” dos negócios
Até então, se o dono de uma pequena franquia ou de uma loja de bairro quisesse vender o seu ponto, o processo era burocrático, caro e cheio de riscos. As grandes consultorias só aceitam atender empresas que faturam acima de R$ 50 milhões, deixando mais de 18 milhões de micro e pequenos empresários sem rumo.
A SoM&A chegou para mudar essa história através da simplicidade e da tecnologia. Funciona por meio de uma assinatura anual acessível, equivalente a um salário mínimo. A partir daí, a mágica da tecnologia acontece:
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Raio-X Automático: A plataforma se conecta a bancos de dados públicos para puxar certidões, analisar históricos de crédito e avaliar o valor real da empresa (o chamado valuation).
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O “Match” Perfeito: A inteligência artificial cruza dados como localização, faturamento, setor de atuação e objetivos financeiros para sugerir entre 10 e 20 compradores ou vendedores com alta chance de fechar negócio.
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Segurança de Ponta: Todo o processo, desde o primeiro contato até a assinatura digital do contrato de venda, é feito de forma segura dentro do sistema.
Para validar o modelo com o pé no chão, a startup começou operando no setor de franquias — um mercado que movimenta R$ 300 bilhões por ano e registra milhares de repasses de lojas de marcas conhecidas como Lupo e GiOlaser.
Mudando a cultura e gerando novos começos
Para Mary Mizuno, comprar uma empresa que já está funcionando é um caminho muito mais seguro e otimista para quem quer começar a empreender do que abrir um negócio do zero. O comprador já encontra uma equipe treinada, clientes que frequentam o local, fornecedores parceiros e um faturamento previsível, o que reduz drasticamente os riscos de quebrar no primeiro ano.
Além disso, ela luta para quebrar um preconceito cultural muito forte no Brasil. “Por aqui, vender uma empresa ainda parece sinal de que o negócio deu errado. Lá fora, faz parte do ciclo natural de evolução de qualquer projeto”, explica a fundadora. Com o olhar no futuro, Mary agora se prepara para atrair novos investidores para acelerar a expansão da SoM&A. Sua trajetória inspira mulheres de todas as idades ao provar que a tecnologia e a empatia podem caminhar juntas para proteger empregos, salvar o sustento de famílias e democratizar a riqueza por todo o país.








