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Como uma mãe e ex-boia-fria da costura superou a falência na pandemia e ergueu uma fábrica de snacks

As melhores ideias de negócios costumam nascer do resgate de tradições simples. Natural de Minas Gerais e criada no Vale do Ribeira (SP), Vanuza Ferreira, de 38 anos, cresceu consumindo snacks artesanais de banana verde e inhame. Em 2018, enquanto trabalhava no setor têxtil em Santa Catarina, passou a levar os chips caseiros para o lanche. Para contornar as regras da fábrica, dividia as embalagens em sacolas com colegas e vendia entre 20 e 30 pacotes por dia. Ao perceber que o faturamento extra igualava seu salário formal, decidiu investir na atividade.

A trajetória até a consolidação da VC Chips — sigla que une as iniciais de Vanuza e de seu marido e sócio, Carlos Teixeira —, no entanto, foi marcada por provações: o negócio original sofreu com o fechamento do comércio na pandemia de 2020, o acúmulo de dívidas, a tentativa frustrada de recomeço em São Paulo e o rompimento de uma sociedade em que sofreu retaliações comerciais.

O renascimento e a virada estratégica

Após pedir demissão do trabalho CLT em 2024 para cuidar do filho com deficiência, Vanuza retomou a produção artesanal na cozinha de casa com apenas R$ 700. Um pedido decisivo de R$ 1,8 mil vindo de Balneário Camboriú possibilitou o aluguel do primeiro espaço comercial. Com o nome renegociado e o suporte de crédito de uma cooperativa financeira, o negócio escalou rapidamente.

Indicador Operacional Detalhe da Operação VC Chips
Faturamento (1º Semestre 2026) R$ 170 mil acumulados
Faturamento Anual (2025) R$ 200 mil (dobro dos R$ 100 mil registrados em 2024)
Média Mensal de Vendas R$ 24 mil a R$ 28 mil
Volume de Matéria-Prima Mais de 1 tonelada de banana caturra verde processada por semana
Logística e Atendimento Abastecimento de 17 clientes fixos em 5 cidades de SC (sem vendas online)

Estrutura operacional e aposta na automação

A operação funciona de forma enxuta em uma sala comercial em Corupá (SC). A divisão de tarefas é bem definida: uma funcionária realiza o descasque manual das caixas da fruta; Vanuza é responsável por fatiar a banana e controlar o ponto nas cinco fritadeiras elétricas; e Carlos responde pelo transporte da matéria-prima, selagem, rotulagem e logística de entregas.

O principal gargalo histórico da fábrica — o fatiamento em raladores adaptados — está em fase de superação graças à aquisição da primeira cortadeira industrial financiada. A automação gradual permitirá dobrar a capacidade de produção sem perder o padrão estético dos chips, carro-chefe da marca.

Diversificação de catálogo e combate ao desperdício

A VC Chips comercializa pacotes de 50g (R$ 3,00), 150g (R$ 7,00) e 450g (R$ 16,50) em cinco opções de sabores (tradicional, bacon, cebola e salsa, lemon pepper e canela).

Para evitar perdas decorrentes do amadurecimento rápido das bananas no estoque, a empresa investiu recentemente em uma desidratadora para a produção de banana passa e planeja lançar ainda este ano uma cachaça artesanal infusionada com a fruta. Priorizando a consolidação no varejo físico regional e a sustentabilidade financeira em detrimento de margens apertadas, a marca projeta um crescimento contínuo e sustentável para os próximos anos.

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