Em 2016, a paulistana Gabryella Corrêa encontrava-se em um momento incerto. Após ver sua empreiteira falir em 2012 — deixando uma dívida de R$ 100 mil e a promessa de jamais voltar a empreender —, Gaby buscou refúgio na sua formação em nutrição. Trabalhou temporariamente nas Olimpíadas do Rio de Janeiro servindo 12 mil refeições diárias, mas, ao fim do evento, viu-se desempregada.
Ao sair para encontrar amigas e espairecer, chamou um carro por aplicativo. Durante o percurso, foi repetidamente assediada pelo motorista e precisou desembarcar antes do destino final por medo. Ao desabafar com as amigas, percebeu que o trauma era coletivo. A constatação gerou um estalo: a necessidade urgente de um serviço de mobilidade feito de mulher para mulher.
O início, os testes e o crescimento
Para tirar a ideia do papel, Gaby aliou-se ao engenheiro de sistemas José Pereira. Com R$ 500 mil iniciais — somando a rescisão de Gaby e investimentos de Pereira —, contrataram desenvolvedores para criar a primeira versão do aplicativo. Ao longo dos anos, a empresa captou R$ 10 milhões em investimentos-anjo voltados primordialmente para a evolução tecnológica.
O teste de viabilidade ocorreu na convenção Beauty Fair, em São Paulo, onde Gaby panfletou o serviço contando com apenas 20 motoristas. A demanda superou drasticamente a oferta. Para resolver o gargalo, iniciou um recrutamento presencial e individual com motoristas parceiras. O resultado foi expressivo: no lançamento oficial, em 8 de março de 2017, a Lady Driver já contava com 1,8 mil motoristas cadastradas.
Reestruturação na pandemia e o modelo de licenciamento
Após anos de expansão contínua, a pandemia de 2020 reduziu o faturamento da empresa em 80%. O cenário foi agravado pela sobrecarga feminina no cuidado com a família e o lar durante o isolamento. Aproveitando o caixa acumulado e os recursos de captação, Gaby reformulou a operação ao adotar o modelo de licenciamento de software.
| Indicador Operacional | Detalhe da Estratégia Lady Driver |
| Preço do Licenciamento | R$ 50 mil a R$ 250 mil por ano (variando conforme a cidade) |
| Faturamento Múltiplo da Licenciada | Atualmente chega a até R$ 1,2 milhão por mês |
| Presença Territorial | 80 cidades em operação e mais de 220 em fase de implantação |
| Remuneração das Motoristas | Taxa fixa de 25% por corrida (faturamento médio de R$ 7 mil/mês) |
| Projeção de Faturamento (2024) | R$ 80 milhões (5x superior ao faturamento de 2023) |
O modelo rendeu menção honrosa na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) por incentivar o empreendedorismo feminino nos setores de tecnologia e automotivo.
Novos serviços e planos de expansão
Durante a reestruturação na pandemia, a plataforma criou as modalidades Lady Kiddos e Idosos, permitindo o transporte de filhos e pais das passageiras, conduzidos exclusivamente pelas motoristas mais bem avaliadas.
Para sustentar o ritmo de crescimento, a Lady Driver projeta parcerias com escolas para o transporte de alunos como alternativa às vans escolares, além de uma nova rodada de captação de recursos focada em marketing e tecnologia. No plano internacional, a empresa negocia a expansão para Portugal e projeta a entrada futura no mercado norte-americano.








