A força do empreendedorismo feminino capixaba ganha cada vez mais relevância no cenário econômico do Espírito Santo. Com uma população majoritariamente feminina (51%), o estado conta atualmente com 1,7 milhão de mulheres em idade de trabalhar, sendo que 195 mil delas já lideram os seus próprios negócios.
Os dados são da pesquisa Retrato do Empreendedorismo Feminino Capixaba, desenvolvida pelo DataSebrae ES. O estudo revela que as mulheres representam um terço do total de donos de negócios no estado, consolidando a evolução da liderança feminina no mercado local.
Esse movimento acompanha uma tendência nacional de expansão. Uma pesquisa do Sebrae Nacional, baseada em dados do IBGE, aponta que o número de mulheres empreendedoras no Brasil saltou de 7,4 milhões para 10,4 milhões. Esse avanço representa um crescimento real de 31,7% na presença de mulheres no comando de empresas no país.
Desafios estruturais e desigualdade salarial no mercado capixaba
Apesar do avanço nas estatísticas de abertura de empresas, a jornada das mulheres que empreendem e trabalham no Espírito Santo ainda enfrenta barreiras estruturais significativas. O mercado de trabalho formal continua majoritariamente masculino, com os homens detendo uma taxa de participação de 73,1%.
A disparidade também se manifesta nos seguintes indicadores sociais:
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Desocupação: A taxa de desemprego entre as mulheres é superior (3,1%) à registrada entre os homens (2,2%), evidenciando uma barreira maior para a inserção feminina no mercado corporativo tradicional.
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Diferença salarial: O rendimento médio mensal das trabalhadoras capixabas gira em torno de R$ 2.786, enquanto o público masculino apresenta média de R$ 3.692. Na prática, elas recebem 24% menos que os homens no estado.
Esses obstáculos socioeconômicos fazem com que muitas mulheres busquem no empreendedorismo uma alternativa de emancipação e sustento familiar, embora muitas comecem o negócio por necessidade e na informalidade.
Perfil estatístico da mulher empreendedora no Espírito Santo
De acordo com o levantamento detalhado do DataSebrae ES, o ecossistema de negócios liderados por mulheres no estado apresenta características muito específicas de renda, escolaridade e formalização.
| Indicador Estrutural | Percentual de Representação |
| Trabalho por conta própria | 85,2% |
| Atuação sem sócios | 81,7% |
| Renda de até 2 salários mínimos | 77,1% |
| Escolaridade até o nível médio | 65,2% |
| Mulheres negras (maioria chefes de família) | 54,0% |
| Atuação no mercado informal | 50,5% |
| Negócios formalizados (CNPJ) | 39,3% |
Capacitação profissional como ferramenta estratégica de escala
Diante do cenário de alta informalidade, a qualificação técnica surge como o principal motor de sustentabilidade para as microempresas capixabas. Dados do Sebrae/ES apontam que uma em cada quatro empresas lideradas por mulheres no estado recebeu suporte e orientação técnica da instituição.
“A capacitação se torna uma ferramenta estratégica para transformar potencial em resultado. Quando a empreendedora investe em conhecimento, organiza a gestão e fortalece sua rede de conexões, ela passa a ter ferramentas para expandir de forma estruturada”, explica Eurípedes Pedrinha, diretor-técnico do Sebrae/ES.
A principal plataforma de apoio do estado é o programa Sebrae Delas, que estrutura trilhas de aprendizagem focadas nas demandas específicas de cada território. O programa oferece mentorias personalizadas, orientação prática para acesso a linhas de crédito bancário, rodadas de negócios e eventos voltados à ampliação de redes de apoio.
As trilhas são divididas por temas de alta demanda no mercado, incluindo gestão financeira corporativa, marketing digital, técnicas de vendas, planejamento estratégico e liderança comportamental.
Do fechamento da loja física à consultoria: a história da Crescere
Um exemplo prático de como a capacitação transforma a gestão de negócios é a trajetória da consultora empresarial Ana Claudia Prates. Fundadora da Crescere, ela transformou os erros e aprendizados de sua primeira falência comercial em um modelo de mentoria voltado para apoiar outras microempreendedoras.
Sua experiência no varejo começou com uma floricultura online de sucesso durante a pandemia. Contudo, ao realizar a transição para um ponto físico, o negócio enfrentou lacunas de planejamento e precisou ser encerrado. O fechamento motivou Ana Claudia a retornar ao mercado corporativo e buscar especialização profunda em gestão e marca pessoal.
Criada em 2023, a Crescere atua de forma 100% remota e já estruturou a gestão de mais de 45 microempresas lideradas por mulheres no Brasil e no exterior. Para a fundadora, a virada de chave para pequenas empresas está em dominar os processos internos com a mesma paixão dedicada ao produto final.
Como acessar os cursos e as trilhas de capacitação gratuitas
As empreendedoras capixabas interessadas em profissionalizar a gestão de suas empresas podem acessar as soluções educacionais oferecidas gratuitamente pelo Sebrae/ES. Os conteúdos estão disponíveis em formatos presencial, híbrido e totalmente online.
As jornadas de aprendizado são divididas de acordo com o nível de maturidade de cada empreendimento:
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Quero começar: Conteúdos voltados para a validação de ideias de negócios, comportamento empreendedor e primeiros passos do planejamento financeiro.
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Já tenho uma empresa: Foco em marketing digital, controle de fluxo de caixa, precificação correta de produtos e otimização de vendas.
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Quero escalar: Materiais avançados sobre inovação de processos, posicionamento de mercado, governança e acesso a novos canais de distribuição.
As inscrições e o catálogo completo de consultorias podem ser acessados diretamente no portal oficial do Sebrae do Espírito Santo (es.sebrae.com.br) ou por meio do atendimento nas agências de atendimento regional distribuídas pelos municípios capixabas.








