O desejo de trabalhar com a criação manual acompanhou a paulistana Flávia Costa, de 53 anos, desde a juventude. No entanto, sua trajetória profissional inicial passou pelo comércio e por trabalhos no setor de serviços. A costura retornou de forma definitiva à sua rotina durante a quarta gravidez, quando fez um curso gratuito oferecido pelo governo para confeccionar o enxoval do filho. O aprendizado técnico logo se desdobrou na confecção de roupas com estampas africanas e acessórios vendidos em feiras locais.
A busca por uma linguagem artística autêntica e a formalização do negócio ocorreram entre 2021 e 2023, ano em que fundou a Reino de Kush. Unindo a valorização do sagrado feminino ao resgate da história africana, a empreendedora desenvolveu um método de pintura abstrata em tecido que dispensa esboços ou desenhos prévios.
O processo criativo e o conceito da marca
A produção de Flávia é pautada pelo conceito artesanal e orgânico. A artista utiliza pinceladas livres diretamente sobre peças lisas (compradas prontas ou costuradas por ela mesma), permitindo que o pigmento guie a composição da arte.
Uma camiseta básica pode exigir um dia inteiro de dedicação, enquanto peças mais complexas ou pintadas em ambas as faces demandam até três dias de produção. O nome da marca homenageia o antigo Reino de Kush — civilização africana que ocupou regiões dos atuais Sudão e Etiópia —, ressaltando a força política e social das mulheres daquela época.
| Indicador / Aspecto | Detalhe da Operação Reino de Kush |
| Tíquete Médio | R$ 450 por peça |
| Faturamento (2025) | R$ 150 mil |
| Projeção de Crescimento (2026) | Estimativa de expansão de 30% nas vendas |
| Canais de Distribuição | Instagram, WhatsApp e feiras físicas (Praça da República e Beco do Batman) |
| Público-Alvo | Artistas visuais, atores de cinema/teatro e apreciadores de arte autoral |
Atendimento humanizado e vendas diretas
Em vez de recorrer à produção em massa ou a intermediários, a estratégia comercial da marca foca na relação direta com a cliente, carinhosamente chamada por Flávia de “deusa”. Os fins de semana são dedicados às feiras culturais de São Paulo, momentos em que a fundadora observa a reação do público ao toque do tecido e compartilha o contexto histórico e espiritual de cada criação.
O perfil dos compradores abrange profissionais do meio artístico, plástico e do audiovisual que buscam exclusividade e representatividade. As vendas remotas são concluídas via Instagram e WhatsApp, mantendo o diálogo personalizado.
Visão de futuro e expansão orgânica
Com a meta de expandir os resultados financeiros em 30%, os planos de Flávia Costa incluem a futura abertura de um centro cultural integrado. O espaço abrigará ateliê, loja física, área para oficinas e galerias expositivas para dar visibilidade ao trabalho de outras mulheres artistas. Mantendo o ritmo de crescimento sem pressa e focado no fortalecimento do vínculo com sua base de clientes, a Reino de Kush consolida-se como um exemplo de moda autoral valorizada no mercado brasileiro.








