A 11ª edição da pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios”, conduzida pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) em parceria técnica com a consultoria Tewá 225, traça um panorama detalhado sobre as conquistas, os gargalos operacionais e a vulnerabilidade social das mulheres à frente de empresas no Brasil em 2026.
A partir de entrevistas com 1.176 empreendedoras e 15 grupos focais em diversas regiões do país, o estudo revela que a solidão operacional e a sobrecarga de trabalho de cuidado (filhos e familiares) continuam sendo os principais entraves ao crescimento sustentável das empresas lideradas por mulheres.
Perfil demográfico, educação e maternidade
O empreendedorismo feminino brasileiro é expressivamente negro (52,3%, divididos em 33,2% de mulheres pardas e 19,1% de pretas) e concentrado na faixa etária entre 30 e 49 anos (59,1%). Destaca-se o avanço da faixa etária de 70 anos ou mais, que passou de 1,2% para 5% do total de empreendedoras.
Avanço financeiro, acesso ao crédito e vulnerabilidade
O faturamento médio mensal das empreendedoras brasileiras subiu para R$ 3.242 em 2026 (em comparação à média de até R$ 2 mil no ano anterior). Além disso, a proporção de mulheres com acesso a financiamentos e linhas de crédito cresceu significativamente de 34,5% em 2025 para 47,8% em 2026.
Apesar desses avanços, a margem de sobrevivência financeira permanece estreita: 9 em cada 10 empreendedoras relatam não possuir saldo suficiente para reinvestir no negócio ou fazer reservas de emergência após custear as despesas do lar e da empresa.
Informalidade, raça e desafios no ambiente de negócios
A falta de registro formal (CNPJ) atinge 31,9% das empreendedoras, sendo o custo financeiro (38,9%) o motivo central. A informalidade expõe uma clara assimetria racial: é 75% maior entre mulheres negras (42,8%) do que entre mulheres brancas.
Além da gestão financeira (42,3%) e do marketing/divulgação (51,9%), obstáculos comportamentais e de segurança afetam diretamente a expansão das vendas:
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Insegurança e assédio digital: Relatos de abordagens inadequadas nas redes sociais (usadas por 72,2% das entrevistadas) inibem a divulgação de produtos.
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Limitação geográfica e física: O medo de violência em feiras noturnas ou ambientes corporativos predominantemente masculinos reduz as oportunidades de networking.
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Representatividade política: 47,6% das empreendedoras afirmam não se sentir representadas por políticos atuais, valorizando propostas pragmáticas voltadas à saúde, educação e infraestrutura social.







