Empreender exige dedicação, tempo e planejamento estratégico. Contudo, para a maioria das mulheres brasileiras, a gestão de uma empresa ocorre de forma paralela ao acúmulo de responsabilidades domésticas e familiares. Segundo a pesquisa Empreendedoras e Seus Negócios, desenvolvida pelo Instituto RME (Rede Mulher Empreendedora), a divisão desigual das tarefas de cuidado no Brasil é um gargalo estrutural que afeta diretamente o desenvolvimento econômico de negócios liderados por mulheres.
O estudo aponta que 84,8% das empreendedoras exercem trabalho de cuidado não remunerado (como atenção a filhos, idosos ou enfermos) e que 75,7% já precisaram interromper suas rotinas profissionais para atender a essas demandas.
Impactos diretos no crescimento empresarial e na produtividade
O acúmulo de múltiplas jornadas reduz o tempo disponível para atividades cruciais de escala e sustentabilidade financeira, como estruturação de processos, prospecção de vendas, networking, capacitação técnica e descansos indispensáveis para a tomada de decisão.
-
Interferência nos Negócios: 61,7% das empresárias afirmam categoricamente que a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidado interfere no ritmo de desenvolvimento de suas empresas.
-
Barreira Estrutural: O problema ultrapassa a gestão do tempo individual e reflete a ausência de redes de apoio públicas e privadas eficientes para suportar as tarefas do lar.
-
Gargalos de Escala: A dedicação diária a tarefas não remuneradas limita a capacidade das empreendedoras de buscar novos mercados, captar investimentos ou estruturar a governança de suas marcas.
| Indicador / Métrica | Dado Observado (Instituto RME) |
| Realização de Trabalho de Cuidado Não Remunerado | 84,8% das mulheres empreendedoras |
| Interrupção do Trabalho por Demandas de Cuidado | 75,7% das pesquisadas |
| Interferência Direta da Sobrecarga nos Negócios | 61,7% das empresárias afetadas |
| Atividades Comprometidas | Planejamento, vendas, estudos, networking e descanso |
| Efeitos Emocionais Mapeados | Estresse crônico, cansaço acumulado e sofrimento emocional |
Responsabilidade coletiva, redes de apoio e saúde mental
Para além dos indicadores de faturamento e produtividade, o esgotamento decorrente das múltiplas jornadas impacta a saúde mental e a sustentabilidade emocional das empreendedoras. Enfrentar incertezas financeiras e pressões de mercado sem o suporte de redes de apoio qualificadas (familiares, comunitárias ou corporativas) afeta o bem-estar e a longevidade dos empreendimentos.
Construir um ecossistema favorável ao empreendedorismo feminino exige a divisão mais justa das tarefas de cuidado e a criação de espaços institucionais onde o autocuidado e a saúde emocional sejam encarados como pilares fundamentais da gestão executiva.







